A beleza com vontade
É presença com saudade
O belo ideal
É Deus carnal
A beleza sem imagem
É herói sem coragem
O belo referencial
É mentira de casal
A beleza com ilusão
É paixão com coração
O belo alterado
É leão controlado
A beleza com liberdade
É falsa alteridade
O belo sonhado
É moeda de 15 centavos
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Sobre a beleza
A beleza se baseia
O belo se basta
A beleza se dita
A bela se diz
É bela pelo cuidado
É bela pelo grito
É belo pela natureza
É belo pela escolha
Algo de belo que vejo
É ideia de belo que vejo
Algo de belo que imagino
É imagem de belo que vejo
O que a beleza lhe denuncia
É o que a razão me renuncia
O que a beleza lhe faz
É o que a satisfação me traz
A beleza que cansa
É da sutileza do peso
A beleza que agrada
É da brutalidade da migalha
O belo disputa com o real
O belo não quer ser ideia
O belo discute com a ideia
O belo não quer ser real
O belo se basta
A beleza se dita
A bela se diz
É bela pelo cuidado
É bela pelo grito
É belo pela natureza
É belo pela escolha
Algo de belo que vejo
É ideia de belo que vejo
Algo de belo que imagino
É imagem de belo que vejo
O que a beleza lhe denuncia
É o que a razão me renuncia
O que a beleza lhe faz
É o que a satisfação me traz
A beleza que cansa
É da sutileza do peso
A beleza que agrada
É da brutalidade da migalha
O belo disputa com o real
O belo não quer ser ideia
O belo discute com a ideia
O belo não quer ser real
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O dia em que a Terra (não) parou
02/06/2009 - 21:50
Como um relâmpago que acerta a cabeça em um dia que não tem nada de especial, nem de anormal. A tristeza já enraizada, curtida, batida, velha e muito bem cicatrizada, pra mim tanto faz estar ou não triste, a questão é estar menos ou mais triste. Já me acostumei com a idéia de mau tratar todos a minha volta, de não gostar sem ao menos conhecer, de cultivar um certo rancor de algo que nem sei se existe. Paz está longe de ser uma palavra compreensível. É a insatisfação que reina soberana. Mas alguma coisa estranha acontece de repente, um ideal de tranquilidade me rouba a raiva, uma imagem de esperança de tudo melhorar surge (ou ilumina, se bem que encobre o que estava iluminando ali). Pra ser sincero isso já me aconteceu várias vezes, sempre foi uma realidade que não durava. Mas uma é sempre uma, ou mais uma; pode ser "A" ou ",". Dizem que não podemos esperar demais, nem criar expectativas, mas se for assim, como reagir a tanta alegria de mudança, de despertar, de voltar ao contentamento perdido? Ficar indiferente, obscuro, esconder, não dar bandeira? Se for assim, volto ao que era antes, ao descontentamento, à insatisfação, ao rancor. Ou talvez seja a tal da harmonia, do equilíbrio que não tenho, e preciso ter. Relativar o bem e o mal, o pouco e o que sobra, o necessário e o excedente. Ou talvez isso esteja muito longe da minha capacidade, da minha própria existência. Se for assim, tenho que me acostumar com a condição triste que Deus me deu, com os poucos relâmpagos de alegria. E seguir assim, sol após sol. Mas não entendo, me sinto contente, esperançoso com o futuro, alegre e com planos de ser muita coisa. Será que é possível alguém me tirar isso? Eu mesmo?
03/06/2009 - 05:20
Eu tirei! Me sabotei na mesma instantaneidade do relâmpago. Mas dessa vez uma ideia, uma suposição da minha falta me fez cair. Eu pareço não gostar, não me dedicar, não suar pra conseguir eu sei, mas eu não consigo mostrar. Me preocupo com o que pode parecer, com o que aparenta, com o que acham correto ou não. Precisa disso pra ser sincero consigo? O que precisa? Queria ser autêntico, me mostrar, fazer da minha cara a minha cara ao invés de esconder o barato, a essência. Mas isso tudo não passa do impulso mais velho de que se tem registro: medo. Medo de não ter. Não ter coisa alguma. Não ter ninguém! Ninguém que aceite, que aprove, que concorde (ou discorde), que respeite, que ame. Eu não peço nada. Será que isso é muita exigência? Isso na verdade faz com que ninguém saiba como proceder perto de mim, não peço nada, não defino nada, assim ficam esperando um comando, talvez uma pista para serem. Mas não são e nunca serão, desistem rapidamente, não estão muito afim de colaborar, de me ajudar, não estão nem aí. Simplesmente vão embora, é mais fácil assim. Não perdem tempo. Mas aquela estranha sensação de alegria e esperança insiste em ficar e percebo que o que eu devo fazer agora é esquecer essa história de sensações, porque daqui a pouco o dia amanhece e tenho, como sempre, que trabalhar, estudar e resolver os problemas cotidianos da vida.
Como um relâmpago que acerta a cabeça em um dia que não tem nada de especial, nem de anormal. A tristeza já enraizada, curtida, batida, velha e muito bem cicatrizada, pra mim tanto faz estar ou não triste, a questão é estar menos ou mais triste. Já me acostumei com a idéia de mau tratar todos a minha volta, de não gostar sem ao menos conhecer, de cultivar um certo rancor de algo que nem sei se existe. Paz está longe de ser uma palavra compreensível. É a insatisfação que reina soberana. Mas alguma coisa estranha acontece de repente, um ideal de tranquilidade me rouba a raiva, uma imagem de esperança de tudo melhorar surge (ou ilumina, se bem que encobre o que estava iluminando ali). Pra ser sincero isso já me aconteceu várias vezes, sempre foi uma realidade que não durava. Mas uma é sempre uma, ou mais uma; pode ser "A" ou ",". Dizem que não podemos esperar demais, nem criar expectativas, mas se for assim, como reagir a tanta alegria de mudança, de despertar, de voltar ao contentamento perdido? Ficar indiferente, obscuro, esconder, não dar bandeira? Se for assim, volto ao que era antes, ao descontentamento, à insatisfação, ao rancor. Ou talvez seja a tal da harmonia, do equilíbrio que não tenho, e preciso ter. Relativar o bem e o mal, o pouco e o que sobra, o necessário e o excedente. Ou talvez isso esteja muito longe da minha capacidade, da minha própria existência. Se for assim, tenho que me acostumar com a condição triste que Deus me deu, com os poucos relâmpagos de alegria. E seguir assim, sol após sol. Mas não entendo, me sinto contente, esperançoso com o futuro, alegre e com planos de ser muita coisa. Será que é possível alguém me tirar isso? Eu mesmo?
03/06/2009 - 05:20
Eu tirei! Me sabotei na mesma instantaneidade do relâmpago. Mas dessa vez uma ideia, uma suposição da minha falta me fez cair. Eu pareço não gostar, não me dedicar, não suar pra conseguir eu sei, mas eu não consigo mostrar. Me preocupo com o que pode parecer, com o que aparenta, com o que acham correto ou não. Precisa disso pra ser sincero consigo? O que precisa? Queria ser autêntico, me mostrar, fazer da minha cara a minha cara ao invés de esconder o barato, a essência. Mas isso tudo não passa do impulso mais velho de que se tem registro: medo. Medo de não ter. Não ter coisa alguma. Não ter ninguém! Ninguém que aceite, que aprove, que concorde (ou discorde), que respeite, que ame. Eu não peço nada. Será que isso é muita exigência? Isso na verdade faz com que ninguém saiba como proceder perto de mim, não peço nada, não defino nada, assim ficam esperando um comando, talvez uma pista para serem. Mas não são e nunca serão, desistem rapidamente, não estão muito afim de colaborar, de me ajudar, não estão nem aí. Simplesmente vão embora, é mais fácil assim. Não perdem tempo. Mas aquela estranha sensação de alegria e esperança insiste em ficar e percebo que o que eu devo fazer agora é esquecer essa história de sensações, porque daqui a pouco o dia amanhece e tenho, como sempre, que trabalhar, estudar e resolver os problemas cotidianos da vida.
sábado, 7 de novembro de 2009
Nem tudo disse. E isso é tudo
“ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram que a mágoa nova
virasse chaga antiga[...]”
Isso é Leminski. Ai daqueles que não brigam! Mas Paulo, brigas tem um limite, que quando ultrapassado, gera rancores desnecessários, concorda?
Ao mesmo tempo que aumenta a intimidade, aumenta a liberdade mútua. Liberdade conquistada não significa perder as sutilezas, insensibilizar-se com os detalhes. Intimidade é um processo, que faz com que os diálogos se tornem mais abrangentes e sem medo. Em toda discussão existe um limite, uma fronteira que separa a saúde da doença. Enquanto a discussão está no campo do diálogo, habita-se o país da saúde, mas quando inicia uma disputa de egos, dá campo pra batalha, onde necessariamente alguém tem que ganhar. Não há coisa mais escrota do que testemunhar alguém alterar a voz com a outra, olhar com olhos arregalados e cuspir de grito. Arma quente não é a melhor defesa, muito menos ataque. Chega um ponto em que deve-se pensar: eu mesmo, cale a boca! É hora de parar! É o silêncio necessário pra nascer um tipo de intimidade mais íntima. Quanto mais convívio, mais respeito é necessário. Me recuso a ser do tipo que “algum dia vai rir disso tudo!”. Brigas trazem dores que ás vezes nunca saram, dores que jamais devem ser subjulgadas. Quem nunca briga, por outro lado, tem medo. Teme o abalo, que pode ser o final. Mas aqui, há de se contar com a cumplicidade, com o perdão (assunto esse, digno de um post único). Em qualquer nível de relacionamento humano, com qualquer nível de intimidade/proximidade/convívio, o fato de poder contar com o outro faz toda a diferença. O princípio de andar junto é companhia! O que vem atrelado, é consequência! Não se pode entregar-se inteiramente sem acreditar nisso. Acreditar também no amor humano, que transcende através da passagem sincera ao outro. Ninguém ama a si mesmo antes de amar alguém e ser amado. Ninguém ama a si próprio se não vê o amor do outro em si mesmo.
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram que a mágoa nova
virasse chaga antiga[...]”
Isso é Leminski. Ai daqueles que não brigam! Mas Paulo, brigas tem um limite, que quando ultrapassado, gera rancores desnecessários, concorda?
Ao mesmo tempo que aumenta a intimidade, aumenta a liberdade mútua. Liberdade conquistada não significa perder as sutilezas, insensibilizar-se com os detalhes. Intimidade é um processo, que faz com que os diálogos se tornem mais abrangentes e sem medo. Em toda discussão existe um limite, uma fronteira que separa a saúde da doença. Enquanto a discussão está no campo do diálogo, habita-se o país da saúde, mas quando inicia uma disputa de egos, dá campo pra batalha, onde necessariamente alguém tem que ganhar. Não há coisa mais escrota do que testemunhar alguém alterar a voz com a outra, olhar com olhos arregalados e cuspir de grito. Arma quente não é a melhor defesa, muito menos ataque. Chega um ponto em que deve-se pensar: eu mesmo, cale a boca! É hora de parar! É o silêncio necessário pra nascer um tipo de intimidade mais íntima. Quanto mais convívio, mais respeito é necessário. Me recuso a ser do tipo que “algum dia vai rir disso tudo!”. Brigas trazem dores que ás vezes nunca saram, dores que jamais devem ser subjulgadas. Quem nunca briga, por outro lado, tem medo. Teme o abalo, que pode ser o final. Mas aqui, há de se contar com a cumplicidade, com o perdão (assunto esse, digno de um post único). Em qualquer nível de relacionamento humano, com qualquer nível de intimidade/proximidade/convívio, o fato de poder contar com o outro faz toda a diferença. O princípio de andar junto é companhia! O que vem atrelado, é consequência! Não se pode entregar-se inteiramente sem acreditar nisso. Acreditar também no amor humano, que transcende através da passagem sincera ao outro. Ninguém ama a si mesmo antes de amar alguém e ser amado. Ninguém ama a si próprio se não vê o amor do outro em si mesmo.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Que quer dizer cativar?
...e a raposa disse ao principezinho: pureza...há de se pensar. Eu poderia perder o meu tempo em te explicar que purezas existem e estão por aí, por aqui... Mas você não vai acreditar em mim. Mas eu te digo que purezas são possíveis, e não há erro nisto. Eu posso sim querer ser limpa, ser verdade, ser leal, real. E não há erro nisto. Ninguém acredita, mas você deve acreditar, ou senão ninguém verá. É errado ser correta? Certo é enganar, mentir, assim é mais confiável? Se bem que confiança não é muito requisito por aqui. Não confias em ninguém, viverás sozinho. O erro está na crença de quem não acredita na diferença, na minoria. Chegou um ponto em que a sacanagem é tão institucionalizada, liberada, permitida e possível que o inverso não é visto com bons olhos, sempre com desconfiança. Parece loucura, mas prefere-se a enganação, a traição em vez da lealdade, das mãos limpas. Meu querido, eu sinceramente não sei o queres, se é vento que passa, se é fração, se é pular de paixão em paixão o resto da vida, mas desculpe, não tenho talento para ser desleal. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos e eu, só mais uma raposa do seu caminho, e eu não tenho necessidade de ti, e tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...disse a raposa.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Desejo Errata
Agora o corpo não é mais um simples movimento
Agora o corpo transcende
Não é mais um processo em desenvolvimento
Se libertou para corrente
O rosto não olha atrás
Os seios acusam timidez
Os olhos fingem uma paz
E o peito não sai da palidez
Pode ser um convite
Ou uma obrigação
Que sem valor, existe
Sem vontade, a ação
Dessa vez corre atrás da felicidade
Agora, outra face alvorece
O que se quer na verdade
É um prazer que não adoece
A mão que louva
É a mão que alisa
A perna que anda
É a perna que leva
Louva um que aceita
Alisa o outro pêlo
Anda em qualquer lugar
Leva onde se quer ir
Agora o corpo transcende
Não é mais um processo em desenvolvimento
Se libertou para corrente
O rosto não olha atrás
Os seios acusam timidez
Os olhos fingem uma paz
E o peito não sai da palidez
Pode ser um convite
Ou uma obrigação
Que sem valor, existe
Sem vontade, a ação
Dessa vez corre atrás da felicidade
Agora, outra face alvorece
O que se quer na verdade
É um prazer que não adoece
A mão que louva
É a mão que alisa
A perna que anda
É a perna que leva
Louva um que aceita
Alisa o outro pêlo
Anda em qualquer lugar
Leva onde se quer ir
sexta-feira, 31 de julho de 2009
SIM
Mamãe me deu uma boneca
Papai queimou a boneca
Mamãe chora
Papai sorri
Moço na porta
Moço com carteira
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe diz que precisa
Papai diz que é bom
Mamãe chora
Papai sorri
Titio abre o zíper
Titia na sala
Mamãe chora
Papai sorri
Padre com batina
Padre sem batina
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe falou que já sou mulher
Papai falou que sou uma menina
Mamãe chora
Papai sorri
Professora diz para ficar quieta
Irmão diz para não gritar
Mamãe chora
Papai sorri
Coronel é peludo
Coronel ajuda papai
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe não diz nada
Papai diz pra eu tirar a camisola
Mamãe chora
Papai sorri
Papai queimou a boneca
Mamãe chora
Papai sorri
Moço na porta
Moço com carteira
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe diz que precisa
Papai diz que é bom
Mamãe chora
Papai sorri
Titio abre o zíper
Titia na sala
Mamãe chora
Papai sorri
Padre com batina
Padre sem batina
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe falou que já sou mulher
Papai falou que sou uma menina
Mamãe chora
Papai sorri
Professora diz para ficar quieta
Irmão diz para não gritar
Mamãe chora
Papai sorri
Coronel é peludo
Coronel ajuda papai
Mamãe chora
Papai sorri
Mamãe não diz nada
Papai diz pra eu tirar a camisola
Mamãe chora
Papai sorri
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